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Carne bovina no acordo UE–Mercosul: tarifas, cotas e o que muda a cada ano

Por Mercosur TradeFlow ·

Carne bovina é o primeiro produto que vem à cabeça quando se fala em acordo UE–Mercosul, e é justamente onde o acordo é mais cauteloso. Na entrada da UE, a carne do Mercosul não ganha nenhum corte na tarifa normal. O que ela ganha é acesso a duas cotas novas com tarifa de 7,5%, além de tarifa zero dentro da Cota Hilton, que já existia. No sentido contrário, a carne europeia que entra no Mercosul tem uma desgravação comum, em dez anos. Veja como funcionam os dois lados, com os números dos cronogramas.

Carne do Mercosul na UE: a tarifa que não muda

Pegue a carne bovina fresca desossada, NC 0201 30 00. A UE aplica hoje 12,8% mais 303,40 euros por 100 kg, e essa também é a alíquota-base do acordo. A carne congelada desossada (0202 30 90) é quase igual: 12,8% mais 304,10 euros por 100 kg.

Essas linhas não têm uma categoria de desgravação normal no cronograma da UE. Elas aparecem marcadas como BF1 (fresca e refrigerada) ou BF2 (congelada), o que significa que a única preferência está dentro de uma cota. Fora dela, a tarifa cheia continua valendo em 2026, em 2031 e depois.

É a parte específica que encarece a importação. Imagine um embarque de 10 toneladas de 0201 30 00 declarado a 10 euros por kg (um valor inventado, só para a conta). A parte ad valorem dá 12.800 euros e a parte específica mais 30.340, então a tarifa chega a 43.140 euros. Dentro da cota, o mesmo embarque paga 7,5%, ou 7.500 euros.

As cotas BF1 e BF2

As duas cotas crescem em seis etapas iguais e depois ficam estáveis:

Ano BF1, fresca e refrigerada (t eq. carcaça) BF2, congelada (t eq. carcaça)
2026 (ano 0) 9.075 7.425
2027 18.150 14.850
2028 27.225 22.275
2029 36.300 29.700
2030 45.375 37.125
2031 em diante 54.450 44.550

A partir de 2031, são 99.000 toneladas por ano no total. Os volumes estão em equivalente-carcaça, ou seja, os cortes desossados são convertidos de volta ao peso da carcaça com os fatores do Anexo 2-A e consomem mais cota do que o seu peso líquido.

A BF1 abrange sete linhas (carcaças, cortes com e sem osso, e diafragma). A BF2 abrange quinze, entre elas cortes congelados, carne salgada e seca e algumas preparações de carne bovina da posição 1602.

Dois pontos práticos. Primeiro, as duas cotas são administradas por licenças de importação (números de ordem TARIC 09.4920 e 09.4925): é preciso ter a licença antes de a mercadoria chegar, e a UE não publica um saldo corrente como faz com as cotas por ordem de chegada. Segundo, o ano 0 é mais curto que um ano civil, e o volume dele é proporcional. A nossa calculadora estima cerca de 6.091 toneladas para a BF1 e 4.984 para a BF2, contando os 245 dias a partir de 1º de maio. Não encontramos o número oficial da UE para o ano 0 da carne, então trate esses dois valores como estimativa.

A Cota Hilton fica sem tarifa

A UE já tinha uma cota na OMC para carne bovina de alta qualidade, a chamada Cota Hilton (números de ordem 09.4450, 09.4452, 09.4453 e 09.4455). Para a carne originária do Mercosul, a tarifa dentro dessa cota cai a zero desde o início do acordo. Não há escalonamento, e ela não faz parte das 99.000 toneladas. É uma cota que já existia e ficou mais barata de usar.

Carne europeia no Mercosul: desgravação normal

Do lado do Mercosul, a carne bovina é um produto comum da categoria 10. A carne fresca desossada (NCM 0201.30.00) tem alíquota-base de 12% no cronograma, mas o Brasil aplica hoje 10,8%. Pelo artigo 2.4(7) do acordo, os cortes passam a ser calculados sobre 10,8%, e não sobre 12%:

Ano Tarifa de importação no Brasil
2026 9,8%
2027 8,8%
2028 7,8%
2030 5,8%
2033 2,9%
2035 0,9%
2036 em diante 0%

Desse lado não há cota, então qualquer volume de carne originária da UE tem essas alíquotas. Argentina, Paraguai e Uruguai têm as suas próprias tarifas aplicadas, e a calculadora mostra as quatro lado a lado.

O que conferir antes de embarcar

Para quem exporta do Mercosul, as perguntas são: o produto está na lista da BF1 ou da BF2? Você tem licença para o período? O embarque cumpre as regras de origem? Sem licença de cota, paga-se a tarifa cheia. Para quem exporta da UE, a desgravação vale para todo embarque originário em que o importador a solicite, sem limite de volume.

Para fazer as suas contas, digite o código na calculadora com a quantidade em quilos; sem ela, não dá para calcular a parte específica da tarifa europeia. Para entender como as cotas são abertas e usadas, leia como funcionam as cotas do acordo UE–Mercosul. A página de metodologia explica de onde vem cada alíquota.

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